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quinta-feira, 29 de março de 2012

Lilith, a rainha do inferno


   Lilith é, segundo algumas interpretações, a primeira mulher de Adão, a primeira mulher criada por Deus e que antecedeu Eva. 

   Contudo, ao contrário de Eva, que foi criada a partir da costela de Adão e que por isso lhe era obediente, Lilith foi gerada em pé de igualdade com Adão, e por isso revelava traços de grande independência, o que desagradou ao seu esposo humano. 

   Lilith era também livre e lasciva, sendo que se recusava a sujeitar-se sexualmente a Adão, ou sequer submeter-se à sua suposta superioridade, (Lilith, inclusive, recusava-se a ficar debaixo de Adão durante o coito, sendo que Adão não aceitava essa posição de inferioridade do macho), o que muito desagradava ao primeiro homem.

   No primeiro capítulo do Livro de Gênesis, versículo 27, está escrito que: "Deus criou o homem à sua imagem e semelhança; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher." porém no segundo capítulo versículo 18: "O Senhor Deus disse: "Não é bom que o homem esteja só; vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja adequada." e é apenas no versículo 22 do segundo capítulo que Eva é criada: "E da costela que tinha tomado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher, e levou-a para junto do homem.". É possível que no primeiro capítulo a mulher criada seja Lilith.

   Por assim ser, Lilith abandonou o Paraíso e fugiu para o Mar Vermelho, onde conheceu e manteve relações com diversos demônios. Ao perceber que a sua esposa tinha fugido, Adão queixou-se chorosamente a Deus. Deus ouviu os lamentos de Adão, e assim enviou 3 dos seus anjos para ir buscar Lilith e fazê-la regressar para junto do seu esposo. Lilith foi abordada pelos 3 anjos que a foram buscar, a quem maliciosamente respondeu que já não poderia regressar ao paraíso para viver na companhia do marido, pois já se tinha desgraçado nas suas prostituições com os demônios e não era digna do esposo. A resposta fazia sentido, e o fato assim permaneceu consumado. Lilith continuou assim a viver na companhia dos demônios, prostituindo-se com eles e dando origem a filhos igualmente demoníacos. Adão ficou só, e Deus achou que isso não era bom, sendo que criou uma segunda mulher: Eva. Eva foi também ela seduzida por Lúcifer, e dessa relação nasceu Caim.

   Certas mitologias dizem que o motivo que levou Lilith a abandonar o paraíso foi não só a sua recusa em submeter-se a Adão, mas também a sua incontrolável luxúria. Foi a lascívia que a levou a entregar-se a Lúcifer, com quem conheceu o prazer que não conseguia ter com Adão. Em troca das relações sexuais, Lúcifer concedeu a Lilith sabedoria mística e magica. Foi essa sabedoria esotérica, ( a magia negra), que deu a Lilith os meios para fugir do Paraíso e consumar a sua magia negra, através da prostituição com os demónios. Lilith foi por isso a primeira bruxa na história da humanidade. Ao contrário de Eva que morreu como qualquer ser humano, Lilith tornou-se consorte de Lúcifer, e metamorfoseou-se num demónio. 

   Lilith é um demónio succubus, que ataca os homens á noite e cavalgando sobre o corpo da sua vítima, lhes suga a alma através do contato carnal.

   A história de Lilith pode ter sido retirada da Bíblia durante algum dos Concílios de Trento, a interesse da Igreja Católica, para reforçar o papel das mulheres como devendo ser submissas, e não iguais, ao homem. Porém muitas pinturas e esculturas a retratam como a serpente que tentou Eva a comer o pomo do conhecimento.

   Segundo a etimologia judaica vulgar, o nome Lilith deriva de «Layil», que significa «noite». O mesmo nome, de acordo com as tradições assírio -babilónicas, significa «demónio feminino» ou «espírito dos ventos».
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Leia também:

* Azazel, O Deus-Bode
* Astaroth, O Grão Duque do Inferno
* Belial, O Antecessor de Miguel


quinta-feira, 22 de março de 2012

A Biblioteca de Nag Hammadi

   Nag Hammadi é uma aldeia no Egito, conhecida como Chenoboskion na antiguidade, cerca de 225 km ao noroeste de Assuan, com aproximadamente 30000 habitantes. É uma região camponesa onde produtos como o açúcar e o alumínio são produzidos. Nesta aldeia, o camponês Muhammad Ali as-Salmman, encontrou um grande pote vermelho de cerâmica, contendo 13 livros de papiro encadernados em couro. 

   No total descobriram cinquenta e dois textos naquele sítio que ficaram conhecidos como biblioteca de Nag Hammadi, contendo textos do antigo gnosticismo, além de incluírem também três trabalhos pertencentes à Corpus Hermeticum e tradução/alteração parcial de A República de Platão. Na introdução de sua obra The Nag Hammadi Library in English, James M. Robinson sugere que estes códices podem ter pertencido ao monastério de São Pacômio localizado nas redondezas e foram enterrados após o bispo Atanásio de Alexandria ter condenado o uso não crítico de versões não canônicas dos testamentos em suas Cartas Festivas de 367 d.C


   Os textos nos códices estão escritos em copta, embora todos os trabalhos sejam traduções do grego. O mais conhecido trabalho é provavelmente o Evangelho de Tomé, cujo único texto completo está na Biblioteca de Nag Hammadi.

Atualmente, todos os códices estão preservados no Museu Copta no Cairo, Egito.

Principais Textos da Biblioteca
:

Codex I (Codex Jung)
 

•    Prece do apóstolo Paulo
•    Apócrifo de Tiago
•    O evangelho da verdade
•    Tratado sobre a ressurreição
•    Tratado tripartite

Codex II


•    Apócrifo de João (versão longa)
•    Evangelho de Tomé
•    Evangelho de Filipe
•    Hipostasia dos arcontes
•    Sobre a origem do mundo
•    Exegese da alma
•    O livro de Tomé, o combatedor

Codex III


•    Apócrifo de João (versão curta)

•    Evangelho dos egípcios
•    Eugnossos, o abençoado
•    A sofia de Jesus Cristo
•    Diálogo do salvador

Codex V


•    Apocalipse de Paulo

•    Apocalipse de Tiago (I e II)
•    Apocalipse de Adão

Codex VI


•    Atos de Pedro e os 12 apóstolos

•    O trovão, mente perfeita
•    Ensimanteo autorizado
•    O conceito de nosso grande poder
•    Platão, República
•    Discurso sobre o oitavo e o nono
•    Prece de ação de graças
•    Asclépio

Codex VII


•    Paráfrase de Shem

•    Segundo tratado do grande Seth
•    Apocalipse de Pedro
•    Os ensinamentos de Silvano
•    As três estelas de Seth

Codex VIII


•    Zostrianos

•    Carta de Pedro a Felipe
•    Codex IX
•    Melquisedeque
•    O pensamento de Norea
•    Testemunho da verdade

Codex X


•    Marsanes


Codex XI


•    Interpretação do conhecimento

•    Exposição valentiniana
•    Alógenes
•    Hypsiphrone

Codex XII


•    Sentenças de Sexto

•    Fragmentos

Codex XIII


•    Protenóia trimórfica
•    Sobre a origem do mundo

quarta-feira, 21 de março de 2012

Belial, o antecessor de Miguel


   O sexagésimo oitavo espírito descrito na Ars Goetia. É um poderoso rei do inferno, comandante de Sheol (região infernal), foi criado junto com Lúcifer. Ele aparece na forma de dois anjos formosos que se sentam em uma carruagem do fogo. Fala com uma voz graciosa, e logo declara que caiu indignamente, e que ocupava o posto que pertencia a Miguel, e outros anjos do Éden. Sua função é distribuir cargos elevados e causar o favor dos amigos e inimigos. Ele concede espíritos familiares excelentes e reina sobre 80 legiões. Também é responsável pela luxúria, e foi por sua causa que as cidades de Sodoma e Gomorra caíram em tentação.


   É provavelmente o mais importante demônio na Terra, que comandava as forças da escuridão contra os "filhos da luz" que serviam Satã.

   Antes da sua queda, Belial  era o anjo da virtude, e no reino de Deus ocupava o supremo lugar hierárquico que após sua queda o arcanjo Miguel veio a assumir. 


   Antes da revolta contra Deus, Belial era o primeiro arcanjo da criação na hierarquia celestial, seguindo-se depois dele e em segundo lugar o arcanjo Miguel, depois Gabriel em terceiro, seguido de Uriel em quarto e Rafael em quinto. A sua expulsão do reino de Deus consolidou a hierarquia angélica tal como a conhecemos hoje em dia. 


   Na demonologia cristã, Belial é descrito como pertencente da categoria de anjos da vingança e anjos destruidores que estavam ao serviço de Deus, e atualmente é um demônio destruidor de tudo: casamentos, negócios, saúde e da felicidade em geral.


   A etimologia para seu nome é incerta. Alguns estudiosos verteram diretamente do hebreu como "sem valor" (Beli yo'il), enquanto outros traduziram como "não escravizado" (Beli ol), "O que não tem derrotas" (Belial) ou "nunca vencido" (Beli ya'al). Apenas alguns poucos etimologistas assumiram essas transcrições literais como origem de suas pesquisas.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Astaroth, o Grão Duque do Inferno


   O vigésimo nono espírito descrito na Ars Goetia.
Segundo alguns autores de demonologia, Astaroth é um grão duque do Inferno, sendo Satanás o imperador; seus principais ajudantes são três demônios chamados Aamon, Pruslas e Barbatos. No Dicionário Infernal, Astaroth é representado como um homem desnudo com asas, mãos e pés de dragão e um segundo par de asas com plumas abaixo do principal, levando uma coroa, segurando uma serpente com uma mão e cavalgando sobre um lobo ou um cachorro.


   Conhece todos os segredos da Criação e responde questões sobre o passado, presente e futuro. Pode fazer os homens sábios em todas as ciências liberais. Reina sobre 40 legiões de espíritos.
De acordo com Sebastian Michaelis é um demônio de primeira hierarquia que seduz por meio da beleza, da vaidade, filosofías racionalistas de ver o mundo e seu adversário é São Bartolomeu, que pode proteger contra ele porque venceu as tentações de Astaroth.


   Seu nome têm origem no hebraico, que significa "Multidão", "Assembléia", "Rebanho". Poderoso, mas desaventurado, afirmam ter sido condenado injustamente à sua situação. Patrono dos banqueiros e homens de negócios. Representa a ganância e a confirmação da posse. Ele também governa as paixões por jogo à dinheiro; mesmo sendo de personalidade extremamente possesiva, ele nunca irá roubar, dando preferencias, a pactos e ao comércio. Citado algumas vezes na Bíblia, como em II Reis 23:13, onde na versão NVI é citado como "a detestável deusa dos sidônios"

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

São Lúcifer

   Lúcifer de Cagliari ou Lúcifer Calatariano foi um Obsipo de Cagliari, na Sardenha, Itália. Viveu entre os princípios do século IV até por volta do ano 370 d.C. 

   Sua primeira aparição na história eclesiástica foi em 354 d.C. quando foi enviado pelo Papa Libério para solicitar ao imperador Constancio II para que o mesmo convocasse um concílio para tratar das acusações contra São Atanasio e sua prévia condenação. Este concílio foi realizado em Milão. Lúcifer defendeu ao Obispo de Alexandria (São Atanasio) com tanta paixão e em um tom de voz violento, que deu aos adversários do grande alexandrino um pretexto para o ressentimento e mais violência e assim causando uma nova condenação a Atanasio. Constâncio II, pouco acostumado à independencia dos Obispos maltratou ferozmente Lucifer e seu colega Eusébio de Vercelli. Lucifer foi então enviado exilado para a Siria e depois para a Palestina.

   Enquanto estava no exilio Lucifer escreveu uma carta intitulada "Ad Constantium Augustum pro sancto Athanasio libri", uma eloquente defesa da igreja ortodoxa, mas com uma linguagem tão exagerada que passou dos limites e do propósito ao qual deveria servir.

   Após a morte de Constâncio II em 361 d.C., Juliano o Apóstata permitiu a todos os exilados que voltassem às suas cidades. Lucifer foi então à Antióquia e de imediato se informou das divergências que dividiam o partido católico. Ele então se opôs ao obispo Melécio de Antióquia que passou a aceitar o Credo de Nicéia. Embora Melécio tivesse o apoio de muitos proponentes da teologia de Niceia em Antioquia, Lúcifer apoiou o partido Eustatiano, que tinha se mantido firme no credo de Niceia, e prolongou assim o cisma entre os melecianos e os eustatianos ao consagrar, sem licença prévia, um certo Paulino como bispo. Feito isso, ele retornou à Cagliari onde, formou uma pequena seita chamada "Os Luciferianos". 

   Esta seita pregava que todos os sacedotes que perteciam ao arianismo deveriam ser privados de sua dignidade, e que deviam ser excomungados os obispos que reconheciam os direitos dos hereges arrependidos. Ao encontrarem forte oposição, os luciferianos delegaram dois sacerdotes; Marcelino e Faustino, para apresentar uma petição, conhecida como "Libellus precum", ao imperador Teodosio, explicando suas queixas e reclamando proteção. O imperador então proibiu que os perseguissem. 

   Após morte de Lucifer, os luciferianos foram liderados pelo seu principal discípulo, São Gregório de Elvira.


LUCIFER COMO SANTO

   Uma capela na Catedral de Cagliari é dedicada à São Lucifer. Mas seu status como santo é tema de controvérsias.

   Jonh Henry cita em seu livro "Dictionary of Sects, Heresies, Ecclesiastical Parties, and Schools of Religious Thought":

   "A igreja de Cagliari celebrou a festa de um São Lúcifer em 20 de maio. Dois arcebispos da Sardenha escreveram contra e à favor da santidade de Lúcifer. A congregação da Inquisição impôs silêncio em ambas as partes e decretou que a veneração de Lúcifer deveria permanecer como está. Os Bolandistas defenderam este decreto da congregação... alegando que o Lúcifer em questão não é o autor do cisma, mas outro que teria sofrido martírio na perseguição dos vândalos"
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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Goetia (Ars Goetia)

   Goetia ou Ars Goetia, trata-se do primeiro grimório do século VXII, A Chave Menor de Salomão. Muito desse texto, entretanto, apareceu mais cedo, por volta do século XIV. A Goetia se baseia na tradição judaico-cristã na qual o rei Salomão de Israel fora presenteado com um sistema que lhe dava poder e controle sobre os principais demônios da Terra e todos os espíritos menores governados por eles. Assim, Salomão, e depois seus discípulos, teriam poderes sobrenaturais, como invisibilidade, sabedoria sobre-humana e visões do passado e futuro.

   A Goetia contém a descrição dos 72 demônios, os quais Salomão teria invocado e confinado em um recipiente de bronze selado por símbolos mágicos, assim obrigando os demônios a trabalharem para ele.
Segue abaixo a lista dos 72 demônios descritos em A Chave Menor de Salomão:

1. Baal 

2. Agares;
3. Vassago;
4. Samigina;
5. Marbas;
6. Valefor;
7. Amon;
8. Barbatos;
9. Paimon;
10. Buer;
11. Gusion;
12. Sitri;
13. Beleth;
14. Leraie;
15. Aligos;
16. Zepar;
17. Botis;
18. Bathin;
19. Saleos;
20. Pierson;
21. Marax;
22. Ipos;
23. Aym;
24. Neberius;
25. Glasya-Labolas;
26. Bune;
27. Ronove;
28. Berith;
29. Astaroth;
30. Forneus;
31. Foras;
32. Asmoday;
 
33. Gaap;
34. Furtur;
35. Marchosias;
36. Stolas;
37. Phenex;
38. Halphas;
39. Malphas;
40. Raum;
41. Focalor;
42. Vepar;
43. Sabnock;
44. Shax;
45. Vine;
46. Bifrons;
47. Vual;
48. Hagenti;
49. Crocell;
50. Furcas;
51. Balam;
52. Alloces;
53. Camio;
54. Murmur;
55. Orobas;
56. Gremory;
57. Ose;
58. Amy;
59. Orias;
60. Vapula;
61. Zagan;
62. Valac;
 
63. Andras;
64. Haures;
65. Andrealphus;
66. Cimejes
67. Amdusias;
68. Belial;
69. Decarabia;
70. Seere;
71. Dantalion;
72. Andromalius;


   O sistema de invocação é simples, embora construído de uma maneira a impressionar os participantes. Entre seus elementos mínimos temos:, A Varinha, O Círculo, o Triângulo, o Selo, o Hexagrama e o Pentagrama.

   A Varinha serve como instrumento coordenador expressando a
vontade do ocultista. O Círculo é traçado no chão e tem o propósito de proteger o mago.
O Triângulo é o espaço dentro do qual o espírito goético é invocado e confinado.
O Selo é individualizado para cada um dos 72 espíritos e supostamente serve de conexão entre o mundo físico e o espiritual. O Pentagrama e o Hexagrama por fim, são amuletos de proteção.
 
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domingo, 6 de março de 2011

São Cipriano, o feiticeiro

   São Cipriano de Antióquia (não confundir com São Cipriano, o bispo de Cartago) viveu no século III d.C.. 

   O relato mais conhecido sobre sua vida é de que ele nasceu em Antióquia (uma antiga cidade erguida na margem esquerda do rio Orontes, uma região entre a Síria e a Arábia, pertecente a Fenícia). Filho de pais pagãos e possuidores de grandes riquezas, foi um homem de grande conhecimento cultural adquirido em muitas de suas viagens e chegou a ser um profundo conhecedor de magia. 

   Desde sua infância foi induzido aos diversos estudos da feitiçaria e ciências ocultas, entre elas a alquimia, astrologia e adivinhação. Depois de muito conhecimento acumulado ao longo de todas as suas viagens por Grécia e Egito, aos 30 anos de idade Cipriano chega à Babilônia com o intuito de aprender a cultura ocultista dos Caldeus. 

   Nessa época ele conheceu a Bruxa de Évora, com a qual teve oportunidade de intensificar seus estudos e aperfeiçoar sua técnica da premonição. Depois da morte Évora, seus manuscritos ficaram com Cipriano e lhe foram de grande proveito. O feiticeiro dedicou-se arduamente e se tornou conhecido, respeitado e temido onde quer que fosse. 


CONVERSÃO AO CRISTIANISMO 

   Em Antióquia viva um linda jovem chamada Justina. Seus pais a educaram segundo as tradições pagãs. Mas, ouvindo as pregação do diácomo Prailo, Justina se converteu ao cristianismo, se dedicando muito as orações, consagrando e preservando sua virgindade. 

   Um jovem rico chamado Aglaide se apaixona por Justina e os pais da moça, agora já convetidos à fé cristã, concedem a mão da filha ao seu pretendente. Justina, no entanto, não aceitou casar-se e então Aglaide recorreu a Cipriano para que o feiticeiro usasse seus poderes de modo que a donzela abandonasse seus votos de fé e se entregasse ao matrimônio.

   Cipriano induziu Justina à tentações demoníacas, utilizando um pó que despertaria a luxúria, ofereceu sacrifícios aos demônios e empregou várias obras malígnas. Porém, não obteve resultado, pois Justina defendia-se com orações a Deus e sinais da cruz. A ineficácia dos feitiços diante da resistência da moça, fez com que Cipriano se desiludisse profundamente perante sua fé pagã e se voltasse contra o demônio. 

   Influenciado por Eusébio (um amigo cristão) o bruxo se converteu ao cristianismo, chegando inclusive ao ponto de queimar seus manuscritos de feitiçaria e distribuir seus bens aos pobres. 


MORTE 

   As notícias da conversão e das obras cristãs de Cipriano e Justina chegaram ao imperador romano, Diocleciano, que se encontrava na Nicomédia. Assim, foram perseguidos, presos e torturados. 

   Diante do imperador viam-se forçados a negar a fé cristã. Justina foi chicoteada e Cipriano açoitado com pentes de ferro, porém não cederam. Furioso com a resistência dos dois, Diocleciano os lançou numa caldeira em chamas. Os mártires, no entanto, não renunciaram e tampouco transpareciam sofrimento. 

   O feiticeiro Athanásio, que havia sido discípulo de Cipriano, julgou que todas as torturas não sortiam efeito devido a algum feitiço lançado pelo seu ex-mestre. Na tentativa de desafiar Cipriano e elevar a própria moral, Athanasio invocou os demônios e atirou-se na caldeira. Seu corpo foi dizimado pelo calor em poucos segundos. 

   Após este fato, Diocleciano finalmente ordenou a morte de Justina e Cipriano. Eles foram decapitados às margens do rio Galo, na Nicomédia. Seus corpos ficaram exposto por 6 dias até serem recolhidos por um grupo de cristãos e os levaram à Roma. 

   Durante o império de Constantino, os restos mortais foram enviados para a Basílica de São João Latrão. 


LIVRO DE SÃO CIPRIANO 

   É um grimório publicado em vários países, contendo rituais de magias branca e negra. O Livro de São Cipriano, é hoje, uma verdadeira coleção, mas, na verdade, São Cipriano escreveu apenas um: Livro de São Cipriano de Capa Preta, o único a conter a legítima oração da Cabra Preta. 

  Leia também: 
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sábado, 5 de março de 2011

O Evangelho de Judas


   O Evangelho de Judas foi escrito provavelmente durante o século II. O mesmo estava desaparecido, mas durante a década de 1970 foi encontrado no Egito um códice cóptico (supostamente trauduzido do grego original) no qual se encontra um texto que parece corresponder ao Evangelho de Judas mencionado na literatura cristã primitiva. Em 2006 a organização National Geographic Society fez público seu trabalho de restauração e tradução do manuscrito. Também nesse mesmo ano elaborou um documentário "The Gospel of Judas" (O Evangelho de Judas).

   No texto é feita uma valorização positiva a cerca do apóstolo Judas Iscariotes, o qual nos 4 evangelhos canônicos (Marcos, Mateus, Lucas e João) é considerado como um traidor de Jesus. Segundo este evangelho gnóstico, Judas foi seu discípilo favorito, e se entregou seu mestre as autoridades romanas foi em cumprimento de um plano feito pelo próprio Jesus.

   Em 2007, após revisar o manuscrito original, a biblista April D. DeConick, professora da Rice University (EUA), desmente essa interpretação, que segundo ela, se baseia em uma interpretação mal feita.


O DESCOBRIMENTO

   A primeira referência moderna conhecida a respeito deste texto é de 1983, quando alguém propôs sua compra à Universidade Metodista do Sul e o especialista Stephen Emmel pode examiná-lo brevemente junto com outros manuscritos. Acredita-se que alguns camponeses egípcios da localidade de El Minya (cerca de 225km ao sul do Cairo) o descobriram em 1978.
O texto esteve guardado em um banco em Nova York desde 1984. Em 2002 foi adquirido pela Maecenas Foundation for Ancient Art, com sede em Basiléia, Suiça, e dirigida pelo advogado Mario Roberti. Esta fundação contratou a National Geographic Society para que restaurasse, datasse e traduzisse o manuscrito. Segundo o vice-presidente da instituição, Terry Garcia, o códice estava muito deteriorado e por pouco não havia virado pó.

   O professor Rudolf Kasser, da Universidade de Genebra, fez pública a existência do texto em uma conferência em Paris, em julho de 2004. No ano seguinte um portavoz da Maecenas Foundation anunciou sua tradução iminente ao inglês, francês e alemão.


O CONTEÚDO

   O texto do Evangelho de Judas é um relato de mais ou menos 250 linhas, que se encontra em um códice de 66 páginas, mais de um terço do qual é legível. Está escrito no dialeto sahídico do idioma cóptico, que é uma tradução do grego original. Mediante vários métodos, entre eles o do Carbono-14, o códice foi datado entre os anos 220 e 340.

   O papiro se encontra deteriorado: algumas partes do texto foram perdidas e outras se conservam apenas fragmentariamente. 26 das 66 páginas correspondem ao Evangelho de Judas. A parte que pôde ser traduzida começa indicando que se trata de revelações que Jesus fez a Judas Iscariotes, em conversas particulares, 3 dias antes da páscoa. Escrito em terceira pessoa, o texto é um diálogo entre Jesus e seus discípulos, especialmente Judas, que aparece como seu discípulo favorito. Segundo este evangelho, Judas entregou seu mestre aos romanos seguindo ordens do próprio Jesus, que profetizou: "Tu serás o decimoterceiro, e serás maldito por gerações, e virá para reinar sobre eles." (página 47 do manuscrito).

   O Jesus que é apresentado neste evangelho é casual, ri com frequência dos mal-entendidos dos demais discípulos e sua devoção superficial. A inversão da relação tradicional entre Jesus e Judas que é mostrada no texto é que Jesus lhe seria agradecido e o elogia: "Tu superarás a todos eles. Porque tu sacrificarás o homem que me cobre (...) A estrela que indica o caminho és tua estrela"

   Ao final, Judas "recebeu algum dinheiro e o entregou a eles". Jesus o agradece, já que prepara o momento em que ele (Jesus) ficará livre do corpo, o que lhe permite regressar ao "reino grande e ilimitado".

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quinta-feira, 3 de março de 2011

O Anjo Metatron


   No judaísmo místico, em alguns ramos do cristianismo, e especialmente na Cabala, Metatron (ou Metraton) é o anjo supremo, mais poderoso até mesmo do que Miguel. Seu nome significa "Mais Próximo do Trono", também é conhecido como o Príncipe do Rosto Divino, o Anjo do Pacto, o Rei dos Anjos e o Anjo da Morte. 


   É mencionado em algumas passagens do Talmude, como escrivão Divino, e é uma figura muito comum em textos pós-bíblicos e ocultistas, que lhe atribuem a invenção do Tarot.
Porém não há nenhuma referência sobre ele no Tanakh (o Antigo Testamento dos cristãos) e nem no Novo Testamento.


   A palavra Metatron é numericamente equivalente a El Shaddai (Deus) em hebraico gematria, portanto, é dito que ele tem um "nome como o seu Mestre".  Não há, porém, um consenso em torno de sua origem ou do rol que representa na hierarquia do céu e inferno.

   Na visão talmúdica, Metatron é uma figura misteriosa chamada de "YHWH (Deus) menor". O Talmude também registra um incidente com o rabino Elisha Ben Abuya (nascido por volta do ano 70 d.C.), também chamado de Aher ("outro"), de quem se dizia que havia entrado no Paraíso e visto Metatron sentado (Uma posição que no Céu só é tida por Deus). Por isso Elisha considerou que Metatron era uma divindade, dizendo; "Realmente há dois poderes no Céu". Muitos rabinos explicam que a Metatron foi permitido sentar-se devido a sua função como escrivão celestial, o qual registra todos os atos de Israel.


   De acordo com uma doutrina judaica, Enoque foi levado por Deus, de acordo com o relato de Gênesis: “E andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos, e gerou filhos e filhas. E foram todos os dias de Enoque trezentos e sessenta e cinco anos. E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou”. Este pequeno trecho sugere que Deus o transformou em Metatron, embora esta opinião não seja compartilhada por muitas autoridades talmúdicas.
 

   Outra idéia é que exista dois Metatrons, o primeiro seria o Metatron primordial e o segundo seria Enoque.

   O Zohar cita Metatron como "o jovem" e o identifica como o anjo que guiou o povo de Israel no deserto e o descreve como um sacerdote celestial.
De acordo com o orientalista Johan Eisenmenger, Metatron é o que transmite as ordens de Deus aos anjos Gabriel e Rafael.

   Devido a seu caráter misterioso, e a ligação com o Livro de Enoque. A figura de Metatron recebeu um forte sincretismo, sendo frequentemente associada ao exoterismo e a mitologia. Sua figura é descrita por adeptos do cristianismo místico como o mais alto dos anjos tendo de 2,5 à 4 metros, e uma figura bastante imponente,com 72 asas, em 12 pares de 6, e um número incontável de olhos, dos quais precisa para executar sua enorme e vasta tarefa de velar pelo mundo inteiro. Nesse sentido, o anjo é tido como guardião universal e mantenedor do Universo.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Azazel, O Deus-Bode



   De acordo com o livro de Enoque, Azazel (ou Azazael) é um dos 200 anjos que se rebelaram contra Deus. Nos escritos apocalípticos é o poder do mal cósmico, identificado pelos impulsos dos homens maus e da morte. Eles teriam vindo à Terra, para esposar os humanos e criar uma raça de gigantes. O Livro das Revelações, de Abraão, descreve-o como uma criatura impura e com asas. É identificado como a serpente que tentou Eva e que poderia ser o pai de Caim . No século II os búlgaros bogomilianos concordavam que Satanael teria seduzido Eva e que ele, não Adão, era o pai de Caim . A maioria dos bogomilianos foi queimada viva pelo imperador bizantino Alexis.

   O nome de Azazel (como poder sobrenatural) significa "deus-bode". Na demonologia mulçumana, Azazel é a contraparte do demônio que refusou a adorar Adão ou reconhecer a supremacia de Deus. Seu nome foi mudado para Iblis (Eblis), que significa "desespero". Em Paraíso Perdido (I, 534), Milton usa o nome para o porta bandeiras dos anjos rebeldes.

   Azazel é assim o destino do bode expiatório que carregava os pecados de Israel para o deserto no Iom Kipur (Lev. 16). Dois bodes idênticos eram selecionados para o ritual. Um era escolhido, por sorteio, como oferenda a Deus, e o outro era enviado para Azazel, no deserto, para ser lançado de um penhasco. O sumo sacerdote recitava para o povo uma confissão de pecados sobre a cabeça do bode expiatório, e uma linha escarlate era enrolada, parte em volta de seus chifres, parte em volta de uma rocha no topo do penhasco. Quando o bode caía, a linha tornava-se branca, indicando que os pecados do povo haviam sido perdoados. Embora a palavra Azazel possa se referia a um lugar, ou ao bode, também foi explicada como sendo o nome de um demônio. Os pecados de Israel estariam, pois, sendo devolvidos à sua fonte de impureza. Os cabalistas viam no bode um suborno às forças do mal, para que Satã não acusasse Israel e, ao contrário, falasse em sua defesa. Azazel é também o nome de um anjo caído.
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* Belial, o antecessor de Miguel

quinta-feira, 9 de julho de 2009

As Origens do Paganismo

   Pagão é uma expressão que no Ocidente, especialmente entre pessoas religiosas, costuma se empregar para qualificar pessoas que têm crenças religiosas diferentes do judaísmo, cristianismo ou islamismo. Um termo diferente é o de "infiel", que principalmente na religião católica e islâmica designa a todos aqueles que não compartilham sua religião, incluindo às pessoas ateias.

   Etimologicamente, prove do latim paganus, que literalmente significa: homem do campo, camponês, aldeão. O termo procede da época imperial romana, onde o cristianismo se converteu em religião oficial do Império e foi utilizado para denominar e perseguir as antigas religiões europeias. 

   Os "infieis" se diferenciavam dos hereges, devido ao fato de que, aos primeiros desconheciam a religião cristã ou não lhes tinha sido apresentada adequadamente. Os hereges, em mudança são cristãos que discrepam de certos elementos de fé que outros cristãos consideram como fundamentais em sua religião. Por exemplo, os católicos consideravam tradicionalmente como hereges aos cristãos que não compartilham, em todo ou em parte, o conjunto de dogmas aceitados pela Igreja Católica, como os membros das diversas denominações protestantes, unitarios, mormones, etc. 

   Em uma nota ao final do capítulo XXI da Decadência e Queda do Império Romano, Edward Gibbon rastreia a origem e uso da palavra “pagão”. A ideia que agora é comum na literatura de que os adoradores dos antigos deuses começaram a ser chamados pagãos quando seu culto tinha desaparecido das cidades e tinha tomado refúgio nos povos (pagi), é inexata. Os decretos imperiais contra a antiga religião fala de seus devotos como pagãos no ano 365 d. C., quando eles eram ainda a grande maioria nas cidades romanas; e a mesma palavra no sentido de “pueblerinos” (pagãos) usou-se no mínimo desde o primeiro século de era cristã. A etimología se emparenta diretamente com o termo "pagus" (povo), do qual hoje se segue usando pagamento, como sinônimo do povo de origem, ou o povo onde habita uma pessoa. 

   Tácito e Juvenal indicam que em seu tempo começou a ser aplicada àqueles –geralmente camponeses- que não eram chamados para o serviço militar e não tomavam o juramento militar (sacramentum). Já que os cristãos consideravam-se a si mesmos os soldados de Cristo, tomaram prestada a palavra “sacramento”, e chamaram àqueles que não tomavam seu juramento “pagãos”, do mesmo modo que antes se chamava àqueles que não faziam o juramento para o serviço militar. 

   Assim o assinala Tertuliano em De Coroa Militis, X. Os cultos politeístas perduraram mais nos povos, mas no quarto século, quando a palavra “pagão” era usada no sentido que se usa hoje, as cidades eram lugares onde os deuses da Grécia e Roma ainda eram fortes. Juan Crisóstomo diz, em um sermão do ano 385 D.C., que os cristãos eram somente um quinto da população de Antioquia, e há ampla evidência de que o mesmo sucedia em Roma. 

   O termo pagão e seus equivalentes em outros idiomas também têm sido utilizados por correntes cristãs para designar a outras que se definem como cristãs mas conservam cultos sincréticos que recordam ao paganismo. Por exemplo, na Igreja de Bizancio os iconoclastas consideravam paganismo o culto às imagens dos iconodulas. Para alguns; poucos mas certos teólogos e propagandistas protestantes o culto aos santos da Igreja Católica de Roma é paganismo. Igualmente, alguns eclesiásticos católicos europeus qualificavam como pagãs ou segundo quais semi-pagãs práticas sincréticas dos nativos americanos ou asiáticos evangelizados. 

   Durante séculos os textos que utilizam este termo são principalmente cristãos. No entanto, desde o século XIX, o desenvolvimento de um ocultismo ilustrado na civilização ocidental tem levado a que alguns cultos se definissem a si mesmos como pagãos e recuperem antigas tradições pagãs européias. É o que às vezes se chama Neopaganismo. Ainda que o termo pagão tenha sido usado para referir às religiões politeístas como o hinduismo, o animismo, o Vudú e as religiões afro-americanas, o chamanismo amerindio, o shinto, a religião tradicional chinesa, e erroneamente até ao budismo (o qual em realidade não adora a nenhum deus), o verdadeiro é que estas comunidades religiosas muito freqüentemente preferem outros termos. 

   Os seguidores do neopaganismo são dos poucos grupos religiosos que se autoproclamam orgulhosamente como pagãos. 
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sábado, 6 de junho de 2009

O Catarismo

   O catarismo é a doutrina dos cátaros (ou albigenses), um movimento religioso de caráter gnóstico que se propagou pela Europa Ocidental em meados do século X, conseguindo assentar para o século XIII em terras de Languedoc.

   Os chamados cátaros eram um movimento religioso-cultural, propulsor de uma nova ordem social a partir do ascetismo. Com influências do maniqueísmo em suas etapas pauliciana e bogomila, o catarismo propunha uma dualidade criadora: Deus e Satanás. 

   Em resposta, a Igreja Católica considerou suas doutrinas como heréticas. Depois de uma tentativa missionária, e em frente a sua crescente influência e extensão, a Igreja terminou por invocar o apoio da coroa da França, para conseguir sua erradicação a partir de 1209 mediante a Cruzada albigense.

   No final do século XIII, o movimento, debilitado, entrou na clandestinidade, mas desde a segunda metade do século XX, o catarismo é objeto de investigações e de um esforço por integrar sua lembrança à identidade das regiões onde se encontrava seu foco central de influência: o Languedoc e a Provenza, regiões do "Midi" ou terço sul da França. 

   As doutrinas cátaras chegaram, provavelmente, da Europa oriental através de rotas comerciais. 

   Os albigenses também receberam o nome de búlgaros (Bougres) e, ao que parece, mantiveram assim mesmo relações com os bogomilos de Tracia. Ao que parece suas doutrinas tiveram grandes similitudes com as dos bogomilos e inclusive mais com as dos paulicianos, com quem estiveram ligados. No entanto, é difícil formar-se uma ideia exata das doutrinas cátaras, já que existem poucos de seus textos. 

   Os escassos textos cátaros que ainda existem (Rituel cathare de Lyon e Nouveau Testament em provençal) contêm escassa informação a respeito de suas crenças e práticas morais. 

   Os cátaros caracterizavam-se por uma teología dual, baseada na crença de que o universo estava composto por dois mundos em conflito, um espiritual criado por Deus e o outro material forjado por Satanás. Segundo os autores católicos tradicionais, esta era uma característica distintiva do gnosticismo, certa corrente residual do neoplatonismo (Plotino foi antignóstico), principalmente o maniqueísmo e depois a teología dos bogomilos. 

   Provavelmente, esta ideia também tinha sido influída por outras antigas linhas de pensamento gnósticas. De acordo com os cátaros, o mundo tinha sido criado por uma deidade diabólica conhecida pelos gnósticos como o Demiurgo. Os cátaros identificaram ao Demiurgo com o ser ao que os cristãos denominavam Satanás. No entanto, os gnósticos do século I não tinham feito esta identificação, provavelmente porque o conceito do diabo não era popular naquela época, enquanto se foi fazendo mais e mais popular durante a Idade média. 

   Segundo o entendimento cátaro, o Reino de Deus não é deste mundo. Deus criou céus e almas. O mundo material, o mau, as guerras e à Igreja Católica. Ela com sua realidade terrena e a difusão da fé na Encarnação de Cristo, era uma ferramenta de corrupção. Segundo os cátaros, os homens são uma realidade transitória, uma “vestidura” da simiente angélica. Afirmam que o pecado se produziu no céu e que se perpetuou na carne. A doutrina católica tradicional, em mudança, considera que aquele veio dado por causa da carne e contagia no presente ao homem interior, ao espírito, que estaria em um estado de queda como conseqüência do pecado original. 

   Para os católicos, a fé em Deus isenta, enquanto para os cátaros exige um conhecimento (uma gnosis) do estado anterior do espírito para purgar sua existência mundana e uma transformação pessoal a partir de dito conhecimento. Não existe neles uma submissão ao dado, à matéria, que não seria mais que um sofisma tenebroso que obstaculiza a salvação. 

   Comumente, a cerimônia de eliminação dos pecados, chamada consolamentum, levava-se a cabo em pessoas a ponto de morrer. Após recebê-lo, o crente era alentado para deixar de comer a fim de acelerar a morte e evitar a "contaminação" do mundo. O consolamentum era o único sacramento da fé cátara. Não tinham nenhum rito matrimonial, senão que apresentavam uma forte oposição a este. Segundo as fontes inquisitoriais, entre os sectarios estava permitida a prática da homossexualidade (que nessa época se denominava «sodomía»). Os cátaros compreendiam a virgindade como a abstenção de todo o que é capaz de “aterrorizar” o composto espiritual, como a imagem universal da vida, que deixa realizar o divino potencial. 

   Ensinavam que Deus obsequia os meios necessários, em primeiro lugar o mistério do consolamentum (consolo) ou o batismo espiritual - o sacramento da obtenção do Espírito Santo – que define e consagra a vida futura da pessoa. Os cátaros tinham também outras crenças que eram contrárias à doutrina católica. Em suas polêmicas diziam (parafraseando) que Jesus tinha sido um aparecimento que mostrou o caminho a Deus. Achavam que não era possível que um Deus bom (de natureza espiritual) se tivesse reencarnado em forma material, já que todos os objetos materiais estavam contaminados pelo pecado. Esta crença específica denominava-se docetismo. Mais ainda, achavam que o deus Yahvé do Antigo Testamento era em verdade o diabo, já que tinha criado o mundo e devido também a suas qualidades («zeloso», «vingativo», «de sangue») e a suas atividades como «Deus da Guerra». Negando assim toda veracidade do antigo testamento. 

   Uma das ideias que resultaram mais heréticas na Europa feudal foi a crença de que os juramentos eram um pecado, já que uniam às pessoas com o mundo material. Denominar aos juramentos pecado era muito perigoso em uma sociedade na que o analfabetismo era norma comum e quase todas as transações comerciais e compromissos de fidelidade se baseavam em juramentos. Daí que fossem considerados um perigo para o estado. Ao chegar ao século XIII, a fé cátara já entrou firmemente na vida occitana. Os castelos situados nas montanhas sobre o mar fizeram-se a expressão física das alturas espirituais, nas quais habitavam os cátaros. 
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segunda-feira, 11 de maio de 2009

O Édito de Milão

   O Edito de Milão (313), conhecido também como A tolerância do cristianismo, foi um edicto promulgado em Milão que estabeleceu a liberdade de religião no Império Romano, dando fim às perseguições dirigidas pelas autoridades contra certos grupos religiosos, particularmente os cristãos. O édito foi assinado por Constantino I e Licinio, dirigentes dos impérios romanos do Ocidente e Oriente, respectivamente.

   Depois da aprovação, iniciou-se segundo conhece-se pelos historiadores cristãos, a Paz da Igreja.

   Anteriormente, no ano 311 o imperador Galerio tinha emitido na cidade um edito conhecido como o "Edito de Tolerância de Nicomedia". Nele se concedia indulgência aos cristãos e reconhecia sua existência legal e liberdade para celebrar reuniões e construir templos para se Deus.

   Em uma tentativa por reintegrar o império romano, icinio armou-se na contramão de Constantino. Como parte de seu esforço para ganhar a lealdade do exército, Licinio eximou ao exército e os servidores públicos da prática da política de tolerância que impunha o edito, lhes permitindo continuar a perseguição aos cristãos. Como consequência desta ordem, alguns cristãos perderam suas propriedades e até a vida.

   No ano 324 retoma-se a guerra entre ambos impérios. Constantino consegue vencer em 3 de julho desse ano o exército de Licinio na Batalha de Adrianópolis cercando-o dentro das muralhas de Bizancio. Por outro lado, graças à vitória que consegue o primogênito de Constantino, Flavio Julio Crispo, sobre a frota de Licinio, obriga a este a se retirar a Bitinia onde perde seu último posto em 18 de setembro durante a Batalha de Crisópolis. Constantino então ganhou sozinho a posse do império, e ordenou que Licinio fosse internado em Tesalônica, onde tentou se alçar em armas e foi executado por traição.



Consequencias:

   O Édito de Milão não só significou o reconhecimento oficial dos cristãos mas também trouxe como consequência profundas mudanças dentro do Império Romano, bem como o começo da expansão da Igreja. O exercício devolveu aos cristãos seus antigos lugares de reunião e culto, bem como outras propriedades, que tinham sido confiscadas pelas autoridades romanas e vendidas a particulares: “as propriedades terão de ser devolvidas aos cristãos sem exigir pagamento ou recompensa de nenhum tipo, e sem admitir nenhum tipo de fraude ou engano”. Isto deu ao cristianismo (e a qualquer outra religião) um status de legitimidade junto com o paganismo, e efetivamente, depôs o paganismo como a religião oficial do império romano e de seus exércitos.

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O Segundo Concílio de Nicéia

 
 O Segundo Concilio de Niceia celebrou-se de 24 de setembro a 13 de outubro de 787 em Nicea. Foi convocado por Irene, mãe do imperador Constantino VI. Os participantes mais destacados da assembléia foram Adriano I, os legados papais: o Arcipreste romano Pedro e o Archimandrita do monastério grego de San Saba e o patriarca de Constantinopla Tarasio.

   O concilio foi convocado por causa da controvérsia iconoclasta (Etimologicamente, o termo refere-se a quem destroça ícones, isto é, pinturas ou esculturas sagradas) iniciada pelo imperador León III o Isáurico no 726. Os iconoclastas negavam a legitimidade das imagens e seu culto. Fala-se de diversas causas nesta postura: certo esquema ainda monofisita que não tinha sido totalmente vencido, a influência muçulmana e judia no império de Oriente, a origem síria do imperador León III, e o desejo de contrarrestar o poder dos monges, defensores da iconodulia, doutrina contrária à iconoclasta. Além disso os iconoclastas usavam argumentos derivados da proibição que no Antigo Testamento vetava a criação de imagens ou da filosofia platônica já que o uso de imagens implica representar modelos a partir do que só são sombras ou reflexos.

   Os cânones do concilio permitem fazer uma distinção entre o culto dado a Deus (chamado de "adoração") e a veneração especial tributada às imagens. Assim se evitavam ambos extremos igualmente presentes na cultura oriental: a adoração da imagem como se fosse Deus mesmo e por outro lado a destruição destas por medo à idolatria ou por motivos de conveniência.

   A intervenção da imperatriz regente Irene foi contínua e forte. Ela mesma presidiu os trabalhos da última sessão se assegurando assim de que as conclusões fossem na linha favorável às imagens. Os decretos e cânones foram promulgados por ela. No entanto, as disputas no interior da família imperial por causa deste problema continuaram até o imperador Teófilo (842).
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Leia também:

* O Primeiro Concílio de Nicéia
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O Primeiro Concílio de Niceia


O primeiro Concilio ecumênico celebrou-se no ano 325 em Nicéia (atualmente Iznik), cidade da Ásia Menor na Turquia e foi convocado pelo Imperador Constantino I o Grande, por conselho do bispo São Osio de Córdoba.
O objetivo de Constantino era manter unido o Império romano, em grave risco de divisão, unificando às diversas facções religiosas que nesse momento se enfrentavam por diferentes crenças. Existiam três correntes cristológicas do cristianismo no século IV.


Assistiram ao Concilio mais de trezentos bispos presididos por Osio de Córdoba em nome do Imperador, e o Papa Silvestre I enviou dois sacerdotes romanos: Víctor e Vicentius para que lhe representassem. Quase todos os pais conciliares condenaram a doutrina de Arrio, que afirmava que o Filho era uma criação de Deus. No entanto, os semiarrianos, que eram a grande maioria no Concilio, se opuseram à palavra proposta por Atanasio, devido a que esta sugeria que o Pai e o Filho eram o mesmo.


O Imperador Constantino, mesmo sem entender os detalhes das discussões de teología grega, notou que o grupo de Atanasio não cederia, e seria complicado manter a ordem do Império. Por esta razão, e aconselhado por Osio, decidiu em favor de Atanasio, proclamando que Jesus era consustancial com o Pai. om esta fórmula como base, se compôs o Credo Niceno no que se resumia a doutrina cristã, particularmente no que se refere ao Logos. Este símbolo ou credo propôs-se imediatamente na assembléia.


Constantino declarou que aqueles que não aceitassem este símbolo seriam desterrados. Arrio e Eusebio de Nicomedia não assinaram o credo e portanto foram condenados ao exílio e a queima de todos seus livros. No entanto, Constantino foi finalmente batizado por Eusebio de Nicomedia, que seguia sendo o ordinário e ao que se lhe tinham mantido suas dignidades eclesiásticas. Posteriormente levantou-se a condenação civil à doutrina arriana e Arrio foi perdoado, porém morreu repentinamente em circunstâncias estranhas quando teria de novo seus privilégios eclesiásticos.
Uma das decisões do primeiro Concilio de Niceia que teria mais conseqüências práticas foi a determinação das normas para o cálculo da data da Páscoa.

Texto do Concilio


A carta do Imperador (Constantino) a todos aqueles que não estão presentes no concilio:


"Quando surgiu a questão relativa ao festival sagrado da Pascoa, a ideia geral era de que seria conveniente que todos guardassem a festa em um dia; Depois que poderia ser mais formoso e mais desejável que ver este festival, através do qual recebemos a esperança da imortalidade, celebrada por todos em um acordo e da mesma maneira? Declarou-se que era particularmente indigno que sendo este o mais santo dos festivais tivesse de seguir os costumes (o cálculo) dos judeus, quem se tinham ensuciado sua mão com o mais temível dos crimes e cujas mentes estavam cegas.

Ao recusar seu costume, nós podemos transmitir a nossos descendentes a maneira legítima de celebrar a Pascoa; que temos observado desde o tempo da paixão do Salvador (de acordo ao dia da semana).
Portanto, não devemos ter nada em comum com o judeu, pois o Salvador nos mostrou outro caminho; tendo de seguir nossa adoração uma direção mais legítima e mais conveniente (a ordem dos dias da semana). E consequentemente, ao adotar esta maneira de ser, nós desejamos, amados irmãos, nos separar da detestave companhia do judeu.

Como poderiam estar no verdadeiro, eles quem, após a morte do Salvador têm deixado de ser guiados pela razão e agora se deixam levar pela violência selvagem de acordo a como o erro os incita? Eles não possuem a verdade quanto a esta questão da Pascoa, pois em sua cegueira e repugnancia para todos os melhoramentos, eles frequentemente celebram duas Pascoas no mesmo ano. Nós não poderíamos imitar aqueles que abertamente estão em um erro. Como então poderíamos seguir a estes judeus quem com toda certeza estão cegos pelo erro?
A celebração da Pascoa duas vezes em um ano é totalmente inadmissível. Mas ainda se isto não fora assim, seguiria sendo nosso dever não manchar nossa alma pela comunicação com tal gente malvada (os judeus).

Vocês deveriam considerar não somente que o número de igrejas nestas províncias constituem uma maioria, mas também que é correto exigir o que nossa razão aprova e que não deveríamos ter nada em comum com os judeus."


Consequência:


Este estatuto produziu o começo de um tipo de teología, na qual o cristianismo se coloca na posição de Israel na Biblia para tomar as promessas de Deus, mas as conseqüências do pecado e a desobediencia lhas segue atribuindo a seu "povo escolhido".
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Leia também:

* O Segundo Concílio de Nicéia
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quinta-feira, 23 de abril de 2009

O Reino de Shambahla


Na tradição budista tibetana, Shambhala (ou Śambhala) é um reino mítico escondido em algum lugar para além das montanhas nevadas do Himalaia.

A localização de Shambala e sua natureza são objeto de disputa. Enquanto algumas tradições afirmam que existe realmente, outros afirmam que é um lugar intangível em que só se pode chegar através da mente.

Shambhala significa em sânscrito "um lugar de paz, felicidade, tranqüilidade", e acredita-se que seus habitantes sejam todos iluminados. A linha Tantra afirma que um dos reis de Shambhala, Suchandra, recebeu de Buda o Kalachakra Tantra, e que este ensinamento é lá preservado. Segundo esta tradição, quando o Bem tiver desaparecido de sobre a Terra, o 25º rei de Shambhala aparecerá para combater o Mal e introduzir o mundo em uma nova Idade de Ouro.

Para os esoteristas Shamballa é o sanctum sanctórum, a morada do Altísimo, o lugar onde a vontade de Deus é conhecida. O mestre tibetano Djwhal Khul, narra como o primeiro posto de avançada para a Fraternidad de Shamballa foi o templo original de Íbez (situado no centro de Suramérica), e uma de seus ramos, em um período muito posterior, se encontrava nas antigas instituições maias e na adoração fundamental do Sol. Um segundo ramo estabeleceu-se posteriormente na Ásia, e deste ramo os adeptos do Himalaia e do sul da Índia, são os representantes.

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segunda-feira, 20 de abril de 2009

São Malaquias e a Profecia dos Papas

Malaquias de Armag foi contemporâneo e amigo do grande Bernardo de Claraval, fundador da poderosa ordem militar esotérica dos Templários. Este monge, que, na verdade, era um Iniciado e grande clarividente gnóstico, escreveu uma série de profecias sobre os tempos do fim. Porém, para não ser perseguido e morto, viveu discretamente entre os monges católicos.
Foram descobertos no Museu do Vaticano textos manuscritos do Malaquias, bispo irlandês do século 12, e esses textos proféticos citam o fim de nossa civilização, não como outros textos que falam de datas e catástrofes, mas fixando o número preciso de papas da seita católica que se haveriam de suceder em Roma, desde a época que ele viveu até o fim dos tempos.
Constam essas profecias, de 112 sentenças curtas, fornecendo os caracteres dos papas católicos, desde Celestino II, em 1143, até o último pontífice, Pedro II, que ocupará o trono do Vaticano no meio de extremos sofrimentos mundiais.
Dessa vasta lista, citemos apenas os últimos 15 papas que indicam o sinal do fim dos tempos e como eles eram designados por São Malaquias:

Peregrinus Apostolicus - Em 1775 foi eleito o papa Pio VI. Por ir contra o despótico Napoleão, esse papa foi expulso de Roma, sendo levado por esse imperador francês até Valença, morrendo ali. Ou seja, morreu exilado, como um peregrino apóstolo, longe de sua terra.
Aquila Rapax - Esse papa, Pio VII, viveu sob o domínio militar de Napoleão Bonaparte, cujo símbolo foi uma águia imperial (aquila rapax significa águia de rapina, destruidora).

De Balneis Etruriae - O papa Gregório XVI pertenceu à Ordem que São Romualdo, fundada em Balnes, na Etrúria, de modo que seu qualificativo é perfeitamente identificável pela sua origem religiosa.

Crux de Cruce - Pio IX teve um pontificado que foi, de fato, uma dolorosa e pesada cruz. Este papa e Vitor Emanuel, sendo ambos da casa de Savóia (em cujos escudos se vê a cruz), sofreram e foram espoliados pela terrível revolução italiana. Morreu encerado no Vaticano. Ou seja, a "Cruz da Cruz" (o martírio de um papa que foi da casa dos Savóia).

Lumen in Coeluo - Leão XIII, apesar de seus excessos de conselhos, advertências e encíclicas, foi considerado um luzeiro para sua época, amante da ciência e das artes. Lumen in Coeluo significa luz no céu.

Ignis Ardens - O dístico completo que São Malaquias deu ao papa Pio X é: Ignis Ardens Funatus de Littore Veniet. Esse papa tinha no seu escudo uma estrela (ignis ardens), uma âncora (funatus, que quer dizer ancorado), e ele da margem do mar de Veneza (de littore veniet).

Religio Depopulata - A Bento XV é atribuído, na profecia de São Malaquias, o dístico Ecce Religio Populata et Satanae Soboles Saevissima, que quer dizer: "Eis a religião despovoada e a raça cruel de Satanás". E Malaquias ainda acrescenta: Su, italiano liga! "De pé, liga italiana! A falta de amor, caridade e religiosidade assolou a Europa e o mundo durante a Primeira Guerra Mundial, matando milhões de pessoas. E após a Guerra veio a crise, a fome, a miséria, as pestes, o comunismo, a gripe espanhola... (Religio Depopulata, as religiões abandonadas, despovoadas, os corações cheios de ódio no mundo.)

Fides Intrepida - Leia a frase usada para designar esse guia da seita católica: "Eis a fé que não estremece e a imolação predita. Vitória santa certíssima. Nosso santo padre Pio XI, Rei na Itália! Que a Cidade Santa tenha fé em seus méritos". Note que Malaquias usa a frase "Rei na Itália" e não Rei da Itália. Por quê? Pelos Pactos de Latrão, Mussolini reconhece a soberania papal unicamente num pedaço de Roma, ou seja, no Vaticano: Um Rei na (ou seja, dentro da) Itália!

Pastor Angelicus - Este papa, Pio XII, reinante em 1942, era um grande amante da ciência, especialmente das ciências que estudavam os céus (ou seja, a morada dos anjos). Outra interpretação reza que esse papa era na verdade um mago negro, de alta estirpe em sua hierarquia negra. Portanto, era um "guia de anjos", porém de "anjos caídos". Muitos o chamaram de "O Papa Nazista".

Pastor et Nauta - João XXIII, homem de bondoso coração, foi guiado pela Grande Fraternidade Branca para tentar reconciliar as religiões monoteístas, por isso, sendo considerado um cultuador da fraternidade entre os homens, um verdadeiro Pastor. O termo Nauta (timoneiro) também refere-se a Veneza, cidade alagada, onde nasceu. Conhecedor da terrível "3ª Mensagem de Fátima", João XXIII lutou intensamente pela paz mundial, na época da Guerra Fria. Foi chamado por Malaquias de "O Rei Pacífico".

Flos Florum - Sua tradução é: "Flor das Flores", devido à flor-de-lis do escudo do papa Paulo VI.

De Medietate Lunae - Ou, Da Meia-Lua. O papa João Paulo I morreu um mês após se tornar papa. Diz um dos vários livros que contam sobre o caso deste pontífice que ele foi assassinado ao tentar "sanear" o banco do Vaticano e anular a influência da máfia italiana. São Malaquias inclui uma frase sobre este papa: Salve amore, pater nostro, mediatore sactissimo, presunta victima (Salve, amado pai, santo mediador, futura vítima).

De Labore Solis Optimo - Pelo excelente Trabalho do Sol. O papa João Paulo II foi um incansável trabalhador, tendo sido o papa que mais viajou em redor do mundo.

Gloria Olivae - O atual papa, Bento 16, que foi líder da Santa Inquisição e da Ordem dos Olivetanos, irá reinar em relativa paz. Sem muitas informações adicionais que caracterizem um pontificado agitado.

Petrus II - O Grande Iniciado Malaquias usa a seguinte frase para explicar o momento desse papa: Tu, in desolacione suprema sede. Ecce Petrus Romanus, ultimus Dei veri Pontifex! Tradução: "Na suprema desolação do mundo, reinará Pedro, o Romano, o último papa do Deus verdadeiro!"
E o profeta termina a descrição dos acontecimento que se avizinham afirmando: Roma nefans destruitor et judex tremendus judicabit triumphans omnes populos. Tradução livre: "Roma, a criminosa, será destruída e o Tremendo Juiz julgará triunfante todas as nações".
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