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domingo, 1 de abril de 2012

Aleister Crowley, O Mago

Edward Alexander Crowley (ou Aleister Crowley, como ficou mundialmente conhecido), nasceu na Inglaterra em 12 de outubro de 1875; teve uma educação esmerada em Cambridge e pretendia seguir a carreira diplomática por influência de seu tio. Todos os elementos para uma vida prosaica, tranqüila e feliz se faziam presentes. Mas Crowley sonhou algo totalmente diferente. Seus interesses dirigiram-se para o alpinismo e xadrez, mas acima de tudo para a magia, que se tornou o grande objetivo de sua vida.

   Ele foi o co-fundador da A∴A∴ (Astrum Argentum) e eventualmente um líder da Ordo Templi Orientis, e é conhecido hoje em dia por seus escritos sobre magia, especialmente o Livro da Lei, o texto sagrado e central da Thelema, apesar de ter escrito sobre outros assuntos esotéricos como magia cerimonial e a cabala.

   Em muita de suas façanhas ele "iria contra os valores morais e religiosos do seu tempo", defendendo o libertarianismo baseado em sua regra de "Faz o que tu queres". Por causa disso, ele ganhou larga notoriedade em sua vida, e foi declarado pela imprensa do tempo como "O homem mais perverso do mundo".

   Ambos seus pais eram da Irmandade Reservada, uma facção mais conservadora de uma denominação Cristã conhecida como Irmãos de Plymouth, e seu pai costumava ser um missionário. Deste modo o jovem Crowley foi criado para ser um Irmão Plymouth, sujeito a leitura diária de um capítulo da Bíblia.

   Em 1880, uma irmã, Grace Mary Elizabeth, nasceu mas sobreviveu apenas cinco horas. Crowley foi levado para ver o corpo, em suas próprias palavras em As Confissões de Aleister Crowley, o qual escreveu em terceira pessoa:

   "O incidente criou uma curiosa impressão nele. Ele não entendia o porque de ser perturbado tão inutilmente. Ele não poderia fazer nada; a criança estava morta; aquilo não era de sua conta. Essa atitude continuou com o passar de sua vida. Ele nunca vistara outro funeral a não ser o do próprio pai, que ele não se importou em fazer, pois sentiu que ele na verdade era o centro de interesse."

   Em 1887, quando Crowley tinha apenas onze anos de idade, seu pai morreu de um câncer na língua. Ele iria mais tarde descrever isso como um ponto decisivo em sua vida. Ele se tornou continuamente cético sobre o Cristianismo, e foi contra a moralidade Cristã da qual foi ensinado.

   Em 1898, Crowley encontrou o químico Julian L. Baker, e os dois começaram a falar sobre seus interesses em comum sobre alquimia. No seu retorno a Inglaterra, Baker apresentou Crowley a George Cecil Jones, um membro da sociedade oculta conhecida como Ordem Hermética da Aurora Dourada. Crowley foi posteriormente iniciado na "Ordem Externa" da Aurora Dourada, no dia 18 de novembro de 1898, pelo líder do grupo, S. L. MacGregor Mathers. A cerimônia foi realizada no Salão de Mark Mason em Londres, onde Crowley aceitou seu lema e seu nome mágico de Frater Perdurabo, significando "Eu devo resistir até o fim."

   Entretanto, uma dissidência havia sido desenvolvida ao redor da Aurora Dourada, com MacGregor Mathers sendo deposto por um grupo de membros que estavam infelizes com seu regime autocrático. Crowley tinha inicialmente contatado esse grupo pedindo para ser iniciado em ordens superiores da Aurora Dourada, mas eles negaram a ele. Imperturbado, ele foi a MacGregor Mathers, que por uma grande quantia iniciou ele na Segunda Ordem. Agora leal a Mathers, ele tentou ajudar a interromper a rebelião, e sem sucesso tentou tomar o espaço de um local conhecido como a Abóbada de Rosenkreutz dos rebeldes.

   Nesta época, Crowley estava viajando o mundo. Em março e abril ele estava no Cairo, Egito, em companhia de sua esposa, Rose Kelly. O casal se entregava às alegrias da viagem de núpcias, mas nem por isso Crowley deixava de ser um Mago. Ele faz uma invocação de elementais do ar para sua jovem esposa, e qual não foi a sua surpresa, ao invés dos silfos a mulher começa a balbuciar: Hórus falava através dela.

   O deus prescreve então uma série de detalhes para um ritual de invocação, o resultado deste Ritual se da nos
dias 8, 9 e 10 de abril, nos quais Crowley recebe o Livro da Lei, um poderoso Grimório de instruções mágicas, a Lei da era de Aquário. Crowley se choca com o conteúdo do Livro, mas a força das revelações lá contidas, influenciando eventos históricos de magnitude gigantesca (Primeira e Segunda guerras mundiais, por exemplo), deixou fora de dúvida a veracidade, beleza e poder do Livro da Lei.

   Ditado por uma entidade de nome Aiwaz (que mais tarde Crowley associou a seu Eu superior). Nele, a Lei da nova era é sintetizada na frase "Faze o que tu queres há de ser o todo da Lei", e tem como contraponto e complemento "Amor é a lei, amor sob Vontade". Facilmente poderíamos imaginar um paraíso da libertinagem, mas a vasta obra de Crowley nos mostra que liberdade sim, mas com conhecimento, em suas próprias palavras:
"O tolo bebe, e se embebeda:
o covarde não bebe. 
O homem sábio, bravo e livre, bebe, e dá glórias ao Mais Alto Deus."

   Crowley criou uma série de potentes rituais para se autoconhecer e travar contato com inúmeras entidades; Deuses, Anjos e Demônios, sem falar em uma gama de símbolos de Poder e palavras de passe.

   Através destes Rituais, as pessoas entram em um novo universo (na verdade os abismos e alturas de seu próprio ser). Um bom exemplo é um Ritual chamado a Marca da Besta, uma alusão à marca recebida por Caim. Este ritual traz as energias do Novo Aeon ao praticante, quebrando uma série de condicionamentos e preenchendo-o com a energia dos quatro elementos encimados pelo Espírito. Um portal é aberto, um portal para a vida.


   Seus últimos anos, a partir de 1945, são vividos em Hastings, onde uma série de novos discípulos continuam recebendo instruções. E assim Kenneth Grant, John Symonds, Grady McMurty, conhecem-no. Desta época, vem sua última obra, consistindo numa coletânea de cartas dirigidas a uma jovem discípula, que foram publicadas bem mais tarde, após a sua morte, como Magick Without Tears.

   No primeiro dia de dezembro de 1947, aos 72 anos, Aleister Crowley, serenamente segundo alguns, exultante segundo outros, e ainda perplexo, segundo terceiros, falece, vítima de bronquite crônica e complicações cardíacas.

   Quatro dias depois, no crematório de Brighton, é realizada a cerimônia que ficou conhecida como "O Último Ritual" com a leitura de trechos da Missa Gnóstica, e de seu famoso Hino, a Pã.

   Em 2002, uma enquete da BBC descrevia Crowley como sendo o 73º maior britânico de todos os tempos, por influenciar e ser referenciado por numerosos escritores, músicos e cineastas, incluindo Jimmy Page, Alan Moore, Bruce Dickinson, Ozzy Osbourne, Raul Seixas, Marilyn Manson e Kenneth Anger. Ele também foi citado como influência principal de muitos grupos esotéricos e de individuais na posterioridade, incluindo figuras como Kenneth Grant e Gerald Gardner.

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quinta-feira, 22 de março de 2012

A Biblioteca de Nag Hammadi

   Nag Hammadi é uma aldeia no Egito, conhecida como Chenoboskion na antiguidade, cerca de 225 km ao noroeste de Assuan, com aproximadamente 30000 habitantes. É uma região camponesa onde produtos como o açúcar e o alumínio são produzidos. Nesta aldeia, o camponês Muhammad Ali as-Salmman, encontrou um grande pote vermelho de cerâmica, contendo 13 livros de papiro encadernados em couro. 

   No total descobriram cinquenta e dois textos naquele sítio que ficaram conhecidos como biblioteca de Nag Hammadi, contendo textos do antigo gnosticismo, além de incluírem também três trabalhos pertencentes à Corpus Hermeticum e tradução/alteração parcial de A República de Platão. Na introdução de sua obra The Nag Hammadi Library in English, James M. Robinson sugere que estes códices podem ter pertencido ao monastério de São Pacômio localizado nas redondezas e foram enterrados após o bispo Atanásio de Alexandria ter condenado o uso não crítico de versões não canônicas dos testamentos em suas Cartas Festivas de 367 d.C


   Os textos nos códices estão escritos em copta, embora todos os trabalhos sejam traduções do grego. O mais conhecido trabalho é provavelmente o Evangelho de Tomé, cujo único texto completo está na Biblioteca de Nag Hammadi.

Atualmente, todos os códices estão preservados no Museu Copta no Cairo, Egito.

Principais Textos da Biblioteca
:

Codex I (Codex Jung)
 

•    Prece do apóstolo Paulo
•    Apócrifo de Tiago
•    O evangelho da verdade
•    Tratado sobre a ressurreição
•    Tratado tripartite

Codex II


•    Apócrifo de João (versão longa)
•    Evangelho de Tomé
•    Evangelho de Filipe
•    Hipostasia dos arcontes
•    Sobre a origem do mundo
•    Exegese da alma
•    O livro de Tomé, o combatedor

Codex III


•    Apócrifo de João (versão curta)

•    Evangelho dos egípcios
•    Eugnossos, o abençoado
•    A sofia de Jesus Cristo
•    Diálogo do salvador

Codex V


•    Apocalipse de Paulo

•    Apocalipse de Tiago (I e II)
•    Apocalipse de Adão

Codex VI


•    Atos de Pedro e os 12 apóstolos

•    O trovão, mente perfeita
•    Ensimanteo autorizado
•    O conceito de nosso grande poder
•    Platão, República
•    Discurso sobre o oitavo e o nono
•    Prece de ação de graças
•    Asclépio

Codex VII


•    Paráfrase de Shem

•    Segundo tratado do grande Seth
•    Apocalipse de Pedro
•    Os ensinamentos de Silvano
•    As três estelas de Seth

Codex VIII


•    Zostrianos

•    Carta de Pedro a Felipe
•    Codex IX
•    Melquisedeque
•    O pensamento de Norea
•    Testemunho da verdade

Codex X


•    Marsanes


Codex XI


•    Interpretação do conhecimento

•    Exposição valentiniana
•    Alógenes
•    Hypsiphrone

Codex XII


•    Sentenças de Sexto

•    Fragmentos

Codex XIII


•    Protenóia trimórfica
•    Sobre a origem do mundo

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Goetia (Ars Goetia)

   Goetia ou Ars Goetia, trata-se do primeiro grimório do século VXII, A Chave Menor de Salomão. Muito desse texto, entretanto, apareceu mais cedo, por volta do século XIV. A Goetia se baseia na tradição judaico-cristã na qual o rei Salomão de Israel fora presenteado com um sistema que lhe dava poder e controle sobre os principais demônios da Terra e todos os espíritos menores governados por eles. Assim, Salomão, e depois seus discípulos, teriam poderes sobrenaturais, como invisibilidade, sabedoria sobre-humana e visões do passado e futuro.

   A Goetia contém a descrição dos 72 demônios, os quais Salomão teria invocado e confinado em um recipiente de bronze selado por símbolos mágicos, assim obrigando os demônios a trabalharem para ele.
Segue abaixo a lista dos 72 demônios descritos em A Chave Menor de Salomão:

1. Baal 

2. Agares;
3. Vassago;
4. Samigina;
5. Marbas;
6. Valefor;
7. Amon;
8. Barbatos;
9. Paimon;
10. Buer;
11. Gusion;
12. Sitri;
13. Beleth;
14. Leraie;
15. Aligos;
16. Zepar;
17. Botis;
18. Bathin;
19. Saleos;
20. Pierson;
21. Marax;
22. Ipos;
23. Aym;
24. Neberius;
25. Glasya-Labolas;
26. Bune;
27. Ronove;
28. Berith;
29. Astaroth;
30. Forneus;
31. Foras;
32. Asmoday;
 
33. Gaap;
34. Furtur;
35. Marchosias;
36. Stolas;
37. Phenex;
38. Halphas;
39. Malphas;
40. Raum;
41. Focalor;
42. Vepar;
43. Sabnock;
44. Shax;
45. Vine;
46. Bifrons;
47. Vual;
48. Hagenti;
49. Crocell;
50. Furcas;
51. Balam;
52. Alloces;
53. Camio;
54. Murmur;
55. Orobas;
56. Gremory;
57. Ose;
58. Amy;
59. Orias;
60. Vapula;
61. Zagan;
62. Valac;
 
63. Andras;
64. Haures;
65. Andrealphus;
66. Cimejes
67. Amdusias;
68. Belial;
69. Decarabia;
70. Seere;
71. Dantalion;
72. Andromalius;


   O sistema de invocação é simples, embora construído de uma maneira a impressionar os participantes. Entre seus elementos mínimos temos:, A Varinha, O Círculo, o Triângulo, o Selo, o Hexagrama e o Pentagrama.

   A Varinha serve como instrumento coordenador expressando a
vontade do ocultista. O Círculo é traçado no chão e tem o propósito de proteger o mago.
O Triângulo é o espaço dentro do qual o espírito goético é invocado e confinado.
O Selo é individualizado para cada um dos 72 espíritos e supostamente serve de conexão entre o mundo físico e o espiritual. O Pentagrama e o Hexagrama por fim, são amuletos de proteção.
 
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domingo, 6 de março de 2011

São Cipriano, o feiticeiro

   São Cipriano de Antióquia (não confundir com São Cipriano, o bispo de Cartago) viveu no século III d.C.. 

   O relato mais conhecido sobre sua vida é de que ele nasceu em Antióquia (uma antiga cidade erguida na margem esquerda do rio Orontes, uma região entre a Síria e a Arábia, pertecente a Fenícia). Filho de pais pagãos e possuidores de grandes riquezas, foi um homem de grande conhecimento cultural adquirido em muitas de suas viagens e chegou a ser um profundo conhecedor de magia. 

   Desde sua infância foi induzido aos diversos estudos da feitiçaria e ciências ocultas, entre elas a alquimia, astrologia e adivinhação. Depois de muito conhecimento acumulado ao longo de todas as suas viagens por Grécia e Egito, aos 30 anos de idade Cipriano chega à Babilônia com o intuito de aprender a cultura ocultista dos Caldeus. 

   Nessa época ele conheceu a Bruxa de Évora, com a qual teve oportunidade de intensificar seus estudos e aperfeiçoar sua técnica da premonição. Depois da morte Évora, seus manuscritos ficaram com Cipriano e lhe foram de grande proveito. O feiticeiro dedicou-se arduamente e se tornou conhecido, respeitado e temido onde quer que fosse. 


CONVERSÃO AO CRISTIANISMO 

   Em Antióquia viva um linda jovem chamada Justina. Seus pais a educaram segundo as tradições pagãs. Mas, ouvindo as pregação do diácomo Prailo, Justina se converteu ao cristianismo, se dedicando muito as orações, consagrando e preservando sua virgindade. 

   Um jovem rico chamado Aglaide se apaixona por Justina e os pais da moça, agora já convetidos à fé cristã, concedem a mão da filha ao seu pretendente. Justina, no entanto, não aceitou casar-se e então Aglaide recorreu a Cipriano para que o feiticeiro usasse seus poderes de modo que a donzela abandonasse seus votos de fé e se entregasse ao matrimônio.

   Cipriano induziu Justina à tentações demoníacas, utilizando um pó que despertaria a luxúria, ofereceu sacrifícios aos demônios e empregou várias obras malígnas. Porém, não obteve resultado, pois Justina defendia-se com orações a Deus e sinais da cruz. A ineficácia dos feitiços diante da resistência da moça, fez com que Cipriano se desiludisse profundamente perante sua fé pagã e se voltasse contra o demônio. 

   Influenciado por Eusébio (um amigo cristão) o bruxo se converteu ao cristianismo, chegando inclusive ao ponto de queimar seus manuscritos de feitiçaria e distribuir seus bens aos pobres. 


MORTE 

   As notícias da conversão e das obras cristãs de Cipriano e Justina chegaram ao imperador romano, Diocleciano, que se encontrava na Nicomédia. Assim, foram perseguidos, presos e torturados. 

   Diante do imperador viam-se forçados a negar a fé cristã. Justina foi chicoteada e Cipriano açoitado com pentes de ferro, porém não cederam. Furioso com a resistência dos dois, Diocleciano os lançou numa caldeira em chamas. Os mártires, no entanto, não renunciaram e tampouco transpareciam sofrimento. 

   O feiticeiro Athanásio, que havia sido discípulo de Cipriano, julgou que todas as torturas não sortiam efeito devido a algum feitiço lançado pelo seu ex-mestre. Na tentativa de desafiar Cipriano e elevar a própria moral, Athanasio invocou os demônios e atirou-se na caldeira. Seu corpo foi dizimado pelo calor em poucos segundos. 

   Após este fato, Diocleciano finalmente ordenou a morte de Justina e Cipriano. Eles foram decapitados às margens do rio Galo, na Nicomédia. Seus corpos ficaram exposto por 6 dias até serem recolhidos por um grupo de cristãos e os levaram à Roma. 

   Durante o império de Constantino, os restos mortais foram enviados para a Basílica de São João Latrão. 


LIVRO DE SÃO CIPRIANO 

   É um grimório publicado em vários países, contendo rituais de magias branca e negra. O Livro de São Cipriano, é hoje, uma verdadeira coleção, mas, na verdade, São Cipriano escreveu apenas um: Livro de São Cipriano de Capa Preta, o único a conter a legítima oração da Cabra Preta. 

  Leia também: 
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sábado, 5 de março de 2011

O Evangelho de Judas


   O Evangelho de Judas foi escrito provavelmente durante o século II. O mesmo estava desaparecido, mas durante a década de 1970 foi encontrado no Egito um códice cóptico (supostamente trauduzido do grego original) no qual se encontra um texto que parece corresponder ao Evangelho de Judas mencionado na literatura cristã primitiva. Em 2006 a organização National Geographic Society fez público seu trabalho de restauração e tradução do manuscrito. Também nesse mesmo ano elaborou um documentário "The Gospel of Judas" (O Evangelho de Judas).

   No texto é feita uma valorização positiva a cerca do apóstolo Judas Iscariotes, o qual nos 4 evangelhos canônicos (Marcos, Mateus, Lucas e João) é considerado como um traidor de Jesus. Segundo este evangelho gnóstico, Judas foi seu discípilo favorito, e se entregou seu mestre as autoridades romanas foi em cumprimento de um plano feito pelo próprio Jesus.

   Em 2007, após revisar o manuscrito original, a biblista April D. DeConick, professora da Rice University (EUA), desmente essa interpretação, que segundo ela, se baseia em uma interpretação mal feita.


O DESCOBRIMENTO

   A primeira referência moderna conhecida a respeito deste texto é de 1983, quando alguém propôs sua compra à Universidade Metodista do Sul e o especialista Stephen Emmel pode examiná-lo brevemente junto com outros manuscritos. Acredita-se que alguns camponeses egípcios da localidade de El Minya (cerca de 225km ao sul do Cairo) o descobriram em 1978.
O texto esteve guardado em um banco em Nova York desde 1984. Em 2002 foi adquirido pela Maecenas Foundation for Ancient Art, com sede em Basiléia, Suiça, e dirigida pelo advogado Mario Roberti. Esta fundação contratou a National Geographic Society para que restaurasse, datasse e traduzisse o manuscrito. Segundo o vice-presidente da instituição, Terry Garcia, o códice estava muito deteriorado e por pouco não havia virado pó.

   O professor Rudolf Kasser, da Universidade de Genebra, fez pública a existência do texto em uma conferência em Paris, em julho de 2004. No ano seguinte um portavoz da Maecenas Foundation anunciou sua tradução iminente ao inglês, francês e alemão.


O CONTEÚDO

   O texto do Evangelho de Judas é um relato de mais ou menos 250 linhas, que se encontra em um códice de 66 páginas, mais de um terço do qual é legível. Está escrito no dialeto sahídico do idioma cóptico, que é uma tradução do grego original. Mediante vários métodos, entre eles o do Carbono-14, o códice foi datado entre os anos 220 e 340.

   O papiro se encontra deteriorado: algumas partes do texto foram perdidas e outras se conservam apenas fragmentariamente. 26 das 66 páginas correspondem ao Evangelho de Judas. A parte que pôde ser traduzida começa indicando que se trata de revelações que Jesus fez a Judas Iscariotes, em conversas particulares, 3 dias antes da páscoa. Escrito em terceira pessoa, o texto é um diálogo entre Jesus e seus discípulos, especialmente Judas, que aparece como seu discípulo favorito. Segundo este evangelho, Judas entregou seu mestre aos romanos seguindo ordens do próprio Jesus, que profetizou: "Tu serás o decimoterceiro, e serás maldito por gerações, e virá para reinar sobre eles." (página 47 do manuscrito).

   O Jesus que é apresentado neste evangelho é casual, ri com frequência dos mal-entendidos dos demais discípulos e sua devoção superficial. A inversão da relação tradicional entre Jesus e Judas que é mostrada no texto é que Jesus lhe seria agradecido e o elogia: "Tu superarás a todos eles. Porque tu sacrificarás o homem que me cobre (...) A estrela que indica o caminho és tua estrela"

   Ao final, Judas "recebeu algum dinheiro e o entregou a eles". Jesus o agradece, já que prepara o momento em que ele (Jesus) ficará livre do corpo, o que lhe permite regressar ao "reino grande e ilimitado".

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terça-feira, 12 de maio de 2009

Manuscrito Voynich


O manuscrito Voynich é um misterioso livro ilustrado de conteúdos desconhecidos, escrito faz uns 500 anos por um autor anônimo em um alfabeto não identificado e um idioma incomprensível, o denominado voynichês.

Ao longo de sua existência constatada, o manuscrito tem sido objeto de intensos estudos por numerosos criptógrafos profissionais e aficcionados. Esta sucessão de falhas tem convertido o manuscrito no Santo Graal da criptografía histórica, mas ao mesmo tempo tem alimentado a teoria de que o livro não é mais que um elaborado engano, uma sequência de símbolos sem sentido algum.

O nome do manuscrito deve-se ao especialista em livros antigos Wilfrid M. Voynich, quem o adquiriu em 1912 . Atualmente está catalogado como o ítem MS 408 na Biblioteca Beinecke de livros raros e manuscritos da Universidade de Yale.

O livro tem em torno de 240 páginas de pergaminho, com espaços vazios na numeração das mesmas, o que sugere que várias páginas foram extraviadas antes de sua compra por Voynich. Para evitar extravios posteriores o pai Petersen o fotocopiou em 1931, repartindo ditas cópias entre vários pesquisadores interessados em seu estudo e tentativa de tradução. Utilizou-se pluma de ave para escrever o texto e desenhar as figuras com pintura de cores; segundo pode se apreciar, o texto é posterior às figuras, já que em numerosas ocasiões o texto aparece tocando a borda das imagens, algo que não ocorreria se estas tivessem sido acrescentadas posteriormente.

Atribui-se aos primeiros proprietários reais do manuscrito a crença de sua autoria por parte de Roger Bacon (1214-1294). O manuscrito apresenta notáveis parecidos com uma obra do autor inglês Anthony Ascham, "A Little Herbal" (Um pequeno herbario), publicada em 1550. Os primeiros proprietários teóricos do manuscrito teriam sido Rodolfo II de Bohemia (1552-1612) (neto de Carlos V) e Jacobus Horcicky de Tepenecz (que o possuiria entre 1612 e 1622), quem a sua vez lho passaria a Georgius Barschius (quem em teoria o teria entre 1622-1665).
Permaneceria em mãos de Athanasius Kircher desde 1665 até 1680, sem que pudesse descifrarlo, passando à biblioteca do Collegio Romano (atualmente a Universidade Pontificia Gregoriana) até 1912, momento no que o compraria Wilfrid M. Voynich (entre 1912 e 1930) para passar posteriormente a sua viúva, Ethel Boole Voynich (entre 1930 e 1961), a Hans Peter Kraus (entre 1961 e 1969), o qual o cedeu à Universidade de Yale.
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Os Protocolos dos Sábios de Sião


Os protocolos dos sábios de Sião é um panfleto antisemita publicado pela primeira vez em 1903, na Rússia czarista cujo objetivo era justificar ideológicamente os pogromos que sofriam os judeus.
O texto seria a transcrição de supostas reuniões dos 'sábios de Sião', em que estes detalham os planos de uma conspiração judia, a qual estaria em controle da maçonaria e os movimentos comunistas, estendida por todas as nações da Terra, e teria como fim o poder mundial.

Os protocolos dos sábios de Sião é a publicação antisemita mais famosa e amplamente distribuída da época contemporânea. Suas afirmações a respeito dos judeus, continuam circulando até hoje, especialmente pela Internet.

Muito lido e citado por setores antisemitas, sua verdadeira autoria resulta confusa. A teoria mais aceita diz que foi obra dos serviços secretos czaristas, que buscavam desacreditar à esquerda bolchevique os acusando de colaborar com a conspiração judia expressada no livro (Marx, Trotsky e Kérensky, por exemplo, eram de ascendência judia). Os teóricos da conspiração assinalam geralmente que estas reuniões se teriam levado a cabo no Primeiro Congresso Sionista de Basilea (Suíça), de 20 a 31 de agosto de 1897, presidido por Theodor Herzl. No entanto, não há evidências disso.

Em dezembro de 1901, uma escura personagem conhecida como Sergei Nilus afirmou ter traduzido para o russo uns textos que em conjunto titulou Os protocolos dos sábios de Sião. Durante os primeiros quinze anos, os Protocolos tiveram escassa influência. A partir de 1917 venderam milhões de exemplares em mais de vinte idiomas.

Desmistificando

Os Protocolos é uma obra de ficção, escrita intencionalmente para culpar aos judeus de uma variedade de males. Os que a distribuem afirmam que documenta uma conspiração judia para dominar o mundo. Mas a conspiração e seus supostos líderes, referidos como "os sábios de Sião", nunca existiram.
A criação deste documento assinalou-se como um claro exemplo da persistência das teorias conspirativas que, em uma cojuntura política de crise social, avivam os preconceitos e as fobias ao proporcionar uma cartada ideológica para o antisemitismo. Assim, entre outras ações, este falso texto inspirou o massacre de 60.000 judeus na mãos das autoridades bielorrussas.

No Nazismo

Os Protocolos também passaram a ser parte da propaganda nazista para justificar a perseguição dos judeus. Converteu-se em leitura obrigatória para os estudantes alemães. No holocausto: a destruição do povo judeu na Europa (1933-1945), Nora Levin afirma que "Hitler utilizou os Protocolos como um manual em sua guerra de exterminio dos judeus"
A partir de agosto de 1921, Hitler começou a incorporar em seus discursos, e foram tema de estudo nas aulas alemãs após os nazistas chegarem ao poder. No apogeo da Segunda Guerra Mundial, Joseph Goebbels (ministro de propaganda nazista) proclamou: "Os protocolos dos sionistas são tão atuais hoje como o foram no dia em que foram publicados pela primeira vez".
Nas palavras de Norman Cohn, isto serviu para os nazistas como autorização do genocídio.
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segunda-feira, 11 de maio de 2009

O Livro dos Mortos


O Livro dos Mortos, ou Peri Em Heru "Livro para sair ao dia", é um texto funerario composto por um conjunto de fórmulas mágicas ou sortilegios, rau, que ajudavam ao difunto, em sua estância na Duat (inframundo na mitología egípcia), a superar o julgamento de Osiris, e viajar ao Aaru.

A redação do Livro dos Mortos data-se durante o Império Novo, ainda que para encontrar suas origens teríamos que remontar aos Textos das Pirâmides do Império Antigo que evoluiu posteriormente nos Textos dos Sarcófagos do Império Médio.

Estas sucessivas transformações implicam que esta coleção heterogênea de fórmulas contenha textos funerarios de todas as épocas da história do Egito. Destacam três versões diferentes do Livro dos Mortos, que foram se sucedendo através da história:

* A versão heliopolitana, redigida pelos sacerdotes de Heliópolis para os faraós, encontra-se em alguns sarcófagos, estelas, papiros e tumbas das dinastías XI, XII e XIII, ainda que a essência prove de escritos primitivos.
* A versão tebana, escrita em jeroglíficos (e depois em hierático) sobre papiros, esta dividida em capítulos sem uma ordem determinada, ainda que a grande maioria tena um título. Usada durante as dinastias XVII, XVIII, XIX, XX e XXI já não só pelos faraós mas também por cidadãos.
* A versão saita deu lugar a sua máxima expressão na Dinastía XXVI do Egito, onde se fixaram a ordem dos capítulos, que vão permanecer invariáveis até o final do período Ptolemáico.

Dyedefhor, que gozou de grande fama como sábio e adivinho, é considerado o autor da prece do Livro dos Mortos pela tradição.

Até agora se conhecem um total de 192 capítulos, mas sua extensão é muito desigual. A extensão dos papiros variava segundo o poder adquisitivo da cada difunto, e uma vez que foi se popularizando, as versões mais econômicas eram realizadas 'em série' pelos templos e depois recheadas com o nome do comprador. A sucessão de fórmulas, sem ordem alguma e que chegam a variar de uns exemplares a outros têm, no entanto, uma lógica interna. Segundo o egiptólogo francês Paul Barguet, o Livro dos Mortos pode dividir do seguinte modo:

* Capítulos 1-16: "Sair ao dia" (oração); marcha para a necrópolis, hinos ao Sol e a Osíris.
* Capítulos 17-63: "Sair ao dia" (regeneração); triunfo e alegria; impotência dos inimigos; poder sobre os elementos.
* Capítulos 64-129: "Sair ao dia" (transfiguração); poder manifestar-se sob diversas formas, utilizar a barca solar e conhecer alguns mistérios. Regresso à tumba; julgamento ante o tribunal de Osiris.
* Capítulos 130-162: Textos de glorificação do morto, que devem ser lids ao longo do ano, em determinados dias feriados, para o culto funerário; serviço das oferendas. preservação da momia pelos amuletos.
* Capítulos 163-190: é um complemento de todo o anterior.

Capítulo 125

Talvez o capítulo mais famoso e importante do Livro dos Mortos, titulado "Fórmula para entrar na sala das duas Maat", no qual o difunto se apresenta ante o tribunal de Osiris. E superada a prova possa continuar seu caminho no mundo dos mortos, a Duat, até atingir os férteis campos de Aaru.

Este capítulo, de notória complexidade e extensão, contém os telefonemas "Confissões negativas", declarações de inocência que o difunto realizava ante os deuses do tribunal a fim de justificar suas ações pessoais, o que explica a grande importância moral que este capítulo significava para os antigos egípcios.
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segunda-feira, 6 de abril de 2009

O Códice de Dresden

O Códice de Dresden é uma das fontes mais valiosas para o entendimento da cultura Maia. Este manuscrito foi um dos documentos mais importantes para o desciframento da escritura ieroglífica dos Maias. O Códice deve seu nome ao lugar onde atualmente se encontra – na Biblioteca Real de Sajonia na cidade de Dresden, Alemanha.

Com certa segurança podemos hoje reconstruir a história deste manuscrito. Muito provavelmente, em 1519 o famoso conquistador Hernán Cortês enviou-o pessoalmente a Madrid a corte do então Rei Carlos V, em conjunto com outras chamadas “curiosidades”, além dos tesouros comuns. Desde Madrid, o códice chegou a Viena, onde o Rei tinha uma de suas residências. O códice permaneceu ali sem nenhuma consideração até que no ano 1739 foi descoberto em uma coleção privada por Johann Christian Goetze, que naquele tempo dirigia a Biblioteca Real de Sajonia em Dresden. O códice aparentemente foi-lhe presenteado pelo desconhecido dono, já que para ele era algo inentendível e portanto algo sem valor algum. Goetze, no entanto, doaria o códice a princípios do ano 1740 a sua Biblioteca.

A procedência do Códice de Dresden

Naquele tempo Hernán Cortês navegou ao longo da costa de Yucatán, entre Cozumel e Zempoala. Portanto podemos supor que o códice provém de Yucatán. Esta suposição baseia-se também em diversas variantes de ieroglíficos que correspondem a idiomas que foram falados em Yucatán, e não em Chiapas ou Guatemala. O códice contém alguns “erros de escritura”, os quais mostram que bilhetes do códice foram copiados de antigos manuscritos. As datas, que o códice apresenta, retrocedem até o período Clássico.

O conteúdo do Códice de Dresden

A maioria dos códices maias tratavam assuntos religiosos, mas também continham algumas páginas que descreviam fatos históricos e astronômicos. O Códice de Dresden pode-se dividir em vários capítulos. Contém um almanaque ceremonial para os diferentes deuses, as famosas tabelas de eclipses de sol e lua, e tabelas para calcular os movimentos dos planetas Vênus e Marte. E também descrevem-se as cerimônias para o início do ano, um dilúvio e uma profecia de um “Katun” (um período de 20 anos no calendário Maia).

A reconstrução atual

Este “Códice Maia de Dresden, Versão A” é uma reconstrução. Quem conhece as diferentes edições do códice, sabe, que o original, lamentavelmente, esta muito danificado. Sobretudo nas esquinas, a delgada camada de estuco em muitos casos está maltratada. Com isto, sabemos que não é possível uma reconstrução completa do códice. Assim também as figuras dos deuses estão danificadas. Para o desenho desta edição foram novamente desenhadas as lâminas da 4a até a 15a do códice original. Os números e ieroglíficos dos dias foram novamente contabilizados, segundo a lógica do calendário Maia, onde já se tinham apagado.

Um dos fenômenos astronômicos amplamente estudado pelos maias com ajuda de seu calendário foram eclipses. Para os maias, a brilhantez e regularidade do Sol era um reflexo de uma ordem cósmica estável e contínua; os eclipses, ao esconderem o sol, rompiam com esta ordem e regularidade, e eram considerados um mau presságio sobre o mundo. Por tudo isto, o poder entender quando sucederia um eclipse se converteu em tema de profunda análise para os sacerdotes-astrônomos maias.

Em três dos códices maias que ainda se conservam, se podem apreciar representações de eclipses, em particular o Códice de Dresden, que possui várias contas vinculadas claramente a eclipses.

Vênus foi outro dos corpos celestes amplamente estudado, isto devido a que se trata do objeto de aparência estelar mais brilhante no céu.
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Leia Também:

* O Calendário Maia
* O Popol Vuh
* As Sete Profecias Maias


sábado, 4 de abril de 2009

Os Livros Proibidos (Index Librorum Prohibitorum)


O Index Librorum Prohibitorum ou Index Expurgatorius é uma lista das paublicações que a igreja católica condena, geralmente por serem de conteúdos contraditórios a história e aos dogmas da igreja. O propósito dessa lista é evitar a leitura de seus fieis e a corrupção dos mesmos.
Criado em 1559 pela Sagrada Congregação da Inquisição da Igreja Católica Romana (posteriormente conhecida como a Congregação para a Doutrina da Fé), o "Index" continha nomes de autores cujas obras estavam proibidas em sua totalidade.
A lista incluiu autores literários como Rabelais (obra completa) ou La Fontaine (contes et nouvelles), pensadores como Descartes e Montesquieu e científicos como Conrad Gessner e Copérnico. Este ultimo entrou na lista como consequência do processo de Inquisição contra Galileu, por um decreto da Congregação Geral, que obrigava expurgar certas passagens imcompatíveis com a fé, que confirmavam que a terra não era o centro do sistema solar e sim o sol (teoria heliocêntrica). Johannes Kleper também foi incluído na lista por defender o heliocentrismo.
A 32° edição do Index publicada em 1948, continha aproximadamente 4.000 títulos censurados por diversas razões; heresia, deficiência moral, sexo explícito, entre outras. Incluia também, junto a uma parte da lista hitórica, boa parte dos novelistas do século XIX, como Zola, Balzac e Victor Hugo. Entre os pensadores se encontram Michel de Montaigne, Descartes, Pascal, Montesquieu, Spinoza, David Hume, Kant, Beccaria, Berkeley, Condorcet e Bentham.
Autores notáveis como Schopenhauer, Marx e Nietzsche, devido as seus ateísmos e hotilidades a igreja católica eram nomes certos a cada edição da lista.
Como lista oficial e a excomunhão que implicava sua leitura, foi abandonada em 1966 com o fim do Segundo Concílio do Vaticano sob o papado de Paulo VI. Porém muitos líderes católicos ainda condenam a leitura desses livros como pecados gravíssimos.
Em 2003 o assunto vem a tona novamente com a publicação do livro O Código Da Vinci, do escritor americano Dan Brown. O livro causou polêmica ao colocar em dúvida a divindade de Jesus Cristo, O livro tem recebido críticas de religiosos, argumentando que Brown distorceu os fatos históricos.
O modo como a trama de Dan Brown trata a Igreja Católica, tem eliciado muitas críticas. O livro tem tido muitas vezes uma resposta negativa entre grupos cristãos.
E em 2005 o Vaticano incluiu o Código Da Vinci na lista dos livros proibidos pela igreja, mesmo esta não sendo mais oficialmente publicada. E apesar de todo o esforço e oposição da Igreja, a obra de Dan Brown tornou-se um best-seller com mais de 70 milhões de cópias vendidas em todo o mundo.
Alguns autores que tiveram suas obras inclusas no Index:
* Friedrich Nietzsche
* Joseph Addison
* Francis Bacon
* Simone de Beauvoir
* Cesare Beccaria
* Jeremy Bentham
* Henri Bergson
* George Berkeley
* Thomas Browne
* Giordano Bruno
* John Calvin
* Auguste Comte
* Nicolaus Copernicus
* Jean le Rond d'Alembert
* Erasmus Darwin
* Daniel Defoe
* Alexandre Dumas
* Alexandre Dumas filho
* Desiderius Erasmus
* Johannes Scotus Eriugena
* Frederick II of Prussia
* Galileo Galilei
* Edward Gibbon
* Vincenzo Gioberti
* Graham Greene
* Heinrich Heine
* Thomas Hobbes
* David Hume
* Cornelius Jansen
* Adam F. Kollár
* Nikos Kazantzakis
* Johannes Kepler
* Hughes Felicité Robert de Lamennais
* John Locke
* Martin Luther
* Niccolò Machiavelli
* Maimonides
* Nicolas Malebranche
* Jules Michelet
* John Stuart Mill
* John Milton
* Ernest Renan
* George Sand
* Jonathan Swift
* Miguel de Unamuno
* Maria Valtorta
* Theodoor Hendrik van de Velde
* Gerard Walschap
* Huldrych Zwingli

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O Popol Vuh


O Popol Vuh ou Popol Wuj (O nome quiché traduzir-se-ia como: "Livro do Conselho" ou "Livro da Comunidade"), é uma recopilação de várias lendas do k'iche's, um reino da civilização Maia ao sul de Guatemala; mais que um sentido histórico tem valor e importância no plano religioso. De fato tem-se-lhe chamado o Livro Sagrado ou a Biblia dos maias k'iche's.

É uma narração que trata de explicar ou contar de alguma maneira a origem do mundo, a civilização e os diversos fenômenos que ocorrem na natureza.

Desconhece-se a existência de uma versão original do Popol Vuh, segundo Delia Goetz: "Deveríamos supor que seria um livro de pinturas com jeroglíficos que os sacerdotes interpretavam ao povo para manter vivo o conhecimento da origem de sua raça e os mistérios de sua religião.". Segundo Fray Francisco Ximénez a primeira versão escrita foi elaborada em língua Quiché utilizando caracteres do alfabeto latino em meados do século XVI. Segundo ele dita versão permaneceu oculta até 1701, quando os maias quiché da comunidade de Santo Tomás Chuilá (hoje Chichicastenango, Guatemala) lhe mostraram a recopilação de suas histórias e mitologia.

Conteúdo do Popol Vuh:

I. Criação referida

1. Os deuses criam o mundo.
2. Os deuses criam aos animais e os condenam a se comer uns a outros.
3. Os deuses criam aos seres de barro, os quais são frágeis e instáveis.
4. Os deuses criam aos primeiros seres humanos de madeira, estes são imperfeitos e carentes de sentimentos.
5. Os deuses destroem os primeiros seres humanos, os quais se convertem em macacos.
6. Os deuses Gêmeos Hunahpú e Ixbalanqué destroem ao arrogante ser Vucub-Caquix, e depois a seus filhos Zipacná e Cabracán.

II. Histórias de Hunahpú e Ixbalanqué

1. Xpiyacoc e Xmucane engendram dois irmãos.
2. HunHunahpú e Xbaquiyalo engendram aos "gêmeos graciosos" HunBatz e HunChouen.
3. Xibalbá mata aos irmãos HunHunahpú e VucubHunahpú, pendurando a cabeça de HunHunahpú em uma árvore.
4. HunHunahpú e Xquic engendram aos "heróis gêmeos" Hunahpú e Ixbalanqué
5. Nascem os heróis gémeos e vivem com sua mãe e sua avó paterna Xmucane, competindo com seus meio irmãos HunBatz e HunChouen.
6. Os "Heróis Gêmeos" derrotam a Xibalbá, casa da penumbra, as facas, o frio, o jaguar, o fogo e os morcegos.

III. Creación de los hombres de Maíz. Descrição de comunidades.

1. Os primeiros quatro homens reais são criados: Balam-Quitzé,o segundo Balam-Acab, o terceiro Mahucutah e o quarto Iqui-Balam.
2. As primeiras quatro mulheres são criadas.
3. Tribos descendentes. Falam a mesma linguagem e viajam a TulanZuiva.
4. A linguagem das tribos confunde-se e estas se dispersam.
5. Tohil é reconhecido como um deus e exige sacrifios humanos.

IV. Listagem de gerações

1. Tohil convence aos senhores da terra através de seus sacerdortes mas seu domínio destrói o Quiché.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

I-Ching, O Livro das Mutações


Com uma história de cerca de 3.000 anos, o I Ching - o Livro das Mutações - é seguramente um dos livros mais antigos da Humanidade. Usado tanto como oráculo ou como objeto de estudo, o I Ching conserva a essência de uma sabedoria que enriquece todos aqueles que se aventuram por suas páginas, oferecendo surpreendentes e precisas respostas a questões existenciais de todos os tipos. Em ambas as situações, ele oferece um caminho de interpretação e de conduta perante a vida, calcada na concepção chinesa de imutabilidade da mudança.

O principal atributo do I Ching é nos ajudar a lidar com as constantes mudanças que ocorrem em nossas vidas. Por sua impressionante habilidade para apontar a essência das situações, muitas pessoas o adotam quando estão diante de momentos importantes, que implicam decisões. É mais ou menos como ter um grande amigo íntimo, sempre pronto a escutar nossos problemas e a nos dar conselhos.


O I Ching surgiu antes da dinastia Chou (1150-249 a.C.) e era um conjunto de oito Kua, figuras formadas por três e seis linhas sobrepostas. James Legge, na tradução para o inglês (1882), chamou de trigrama o conjunto de três linhas e hexagrama o de seis, para distingui-los entre si.

A origem dos 64 hexagramas é atribuída a Fu Hsi, o criador mítico chinês, e até a dinastia Chou eles formavam o I. Os oito trigramas têm nomes não encontrados em chinês, a origem é pré-literária.

O tempo obscureceu a compreensão das linhas, e no começo da dinastia Chou surgiram dois anexos: o Julgamento, atribuído pela tradição ao rei Wên, e as Linhas, atribuídas a seu filho, o duque de Chou, ambos fundadores desta dinastia.

Mais tarde, mesmo o significado destes textos começou a ficar obscuro, e no século VI a.C. foram acrescentadas as Dez Asas, que a tradição atribui a Confúcio, embora seja claro que a maioria delas não pode ser de sua autoria. O nome "I Ching" é dado ao conjunto dos Kua e todos os textos posteriores.


As oito figuras que formam o I Ching estão na base da cultura que se desenvolveu na China durante milênios. Para os chineses a ordem do mundo depende de se dar o nome correto às coisas, portanto o significado de "I" sempre foi objeto de discussão. Alguns vêem o ideograma I como semelhante ao desenho de um camaleão, representando o movimento (como o lagarto) e a mutação (como o mimetismo do camaleão). Outros afirmam que o ideograma é formado pelo do Sol em cima e o da Lua embaixo, a mutação sendo simbolizada pelo movimento incessante destes astros no céu. Para o pensameno chinês, não há o que mude, há apenas o mudar. A mutação seria o caráter mesmo do mundo. Mas a mutação é, em si mesma, invariável, ela sempre existe. Portanto, "I" significa mutação e não-mutação. Subjaz, à complexidade do universo, uma 'simplicidade' que consiste nos princípios que estão por trás de todos os ciclos. Ao fluir com as circunstâncias se evita o atrito e portanto a resistência: esse é o caminho do homem sábio.